Arquivos por Junho 2008
Marcos Ottaviano & Kiko Moura Project
Postado em Segunda-feira, Junho 30, 2008 as 11:41 AM por Marcos Ottaviano
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Fogo Blueseiro
Postado em Terça-feira, Junho 24, 2008 as 4:48 PM por Marcos Ottaviano
Em novo álbum do Blue Jeans, Marcos Ottaviano mostra que a guitarra blues brasileira vai muito bem, obrigado.
Em visita ao Brasil, em 9 janeiro de 2002, o Rolling Stone Ron Wood esteve na casa de shows Bourbon Street Music Club, em São Paulo. Naquela noite, o show era da banda Blue Jeans, que tem Marcos Ottaviano nas guitarras. Empolgado com o blues vigoroso do trio - que conta também com Junior Moreno, na bateria e vocais, e Andrei Ivanovic, no baixo, Wood não segurou a vontade de tocar e pediu para subir ao palco e se unir ao grupo.
O resultado da jam foram inesquecíveis Hide Away, de Freddie King, e Miss You, dos Stones. Impressionado com o talento de Ottaviano, Ron não poupou elogios ao guitarrista, chamando-o de mago e mestre. "Quem sabe você não me dá umas aulas", indagou o Stone.
O estilo que conquistou Wood é formado por uma poderosa pegada blueseira, slides contagiantes e melodias fervorosas. É o que Ottaviano mostra no segundo álbum do Blue Jeans, Come Back Home, que traz composições dos integrantes do trio e versões para Can't You See What You're Doing To Me (Albert King), Sing a Simple Song (S. Stewart), Five Long Years (Eddie Boyd), Rock Me (M. Jackson), Never Make a Move Too Soon (B.B. King) e Georgia Women (R.L. Burnside). O disco foi gravado no Space Blues Studios, na capital paulista.
O blues é um gênero com formas e acordes característicos. Que caminho você segue para não se tornar repetitivo?
Não componho de forma muito tradicional. Acabo saindo da fórmula I, IV, V. Coloco acordes com sexta, refrãos mais pop e R&B. Gostamos de tudo isso, são sons que nos influenciaram. Até o Robert Cray faz músicas com estruturas diferentes nos dias de hoje. Acho que o caminho é esse, você vai evoluindo e dando uma incrementada na harmonia. É fácil soar blues sobre uma harmonia diferente, porque a guitarra pode fazer esse papel. O que mais descaracteriza o blues é o músico usar outras escalas e fugir no fraseado. A harmonia pode ser uma encrenca, mas se você colocar o B.B. King para tocar, a música vai soar blues. O único que consegue utilizar elementos diferentes, continuando a soar blues, é Robben Ford.
O que é importante para aprender a tocar blues?
O que vale é a melodia. No jazz também, se você escutar Wes Montgomery, perceberá que ele toca frases, quase não há escalas. Ele tem um senso melódico incrível. Com Santana é a mesma coisa, ele não entrega as escalas de bandeja, tudo é melodia.
Qual é a melhor maneira de desenvolver esse senso melódico?
Sempre preferi criar frases e melodias próprias. Antes disso, eu ficava tirando músicas e solos. Estudei modos, mas nunca fiquei decorando escalas. Não uso apenas escala pentatônica. Por exemplo, parece que B.B. King só usa pentatônicas, mas, se você for analisar, ele toca mixolídio, dórico, arpejo diminuto, mas sempre com o pé no blues.
Você já pensou em tocar outros estilos?
Tentei aprender jazz, estudei com Kiko Moura, um dos maiores guitarristas que já vi. Foi ele quem me incentivou a estudar blues, porque em toda estrutura de jazz que ele me passava eu dava um jeito de colocar um blues no meio. Hoje em dia escuto bastante jazz e até penso em voltar a estudar. Já me falaram que, mesmo tocando blues, pareço um guitarrista de jazz. Talvez por eu não usar apenas pentatônicas.
Veja matéria completa na Guitar Player 90
Atualizado em : Domingo, Agosto 23, 2009 2:36 PMPostado em Entrevistas (RSS)
Blue Jeans & Magic Slim
Postado em Terça-feira, Junho 24, 2008 as 4:43 PM por Marcos Ottaviano
Formada em 1986, a Blue Jeans é considerada uma das bandas pioneiras no
blues nacional. O trio composto por Marcos Ottaviano (guitarra), Junior
Moreno (bateria, gaita e voz) e Andrei Ivanovic (baixo) já acompanhou
importantes nomes do blues mundial, como Big Time Sarah e Sugar Blue.
Para comemorar seus 20 anos de carreira, eles convidaram o guitarrista
americano Magic Slim para uma jam no estúdio Bebop, em São Paulo, e o
resultado está no DVD Sao Paulo Sessions.
A primeira parte é dedicada às músicas tocadas com Magic Slim, responsável também pelos vocais. Em Please Don't Dog Me, de Morris Holt, Slim executa um dos melhores solos presentes no DVD, mostrando muita intimidade com a guitarra. Em I'm a Blues Man, também de Holt, Ottaviano toca lap steel com destreza, mostrando ser um músico versátil e talentoso.
A segunda parte do trabalho traz o Blue Jeans sem Slim, executando músicas tradicionais em suas apresentações nas noites de São Paulo. As seis músicas são cantadas por Junior, e eles contam com o luxuoso apoio do tecladista Adriano Grineberg. Em algumas faixas, como Got to Move (Elmore James) e When the Music Stops (parceria de Ottaviano com André Christovam), Ottaviano utiliza o slide com muito bom gosto. Timbres simples mas certeiros são grandes qualidades de Slim e Ottaviano.
Nos extras, além de uma entrevista com Magic Slim e cenas de bastidores, há três faixas bônus. A balada Thru These Hard Times (Junior Moreno e Marcos Ottaviano), executada apenas pela Blue Jeans, apresenta um ótimo solo de guitarra. Já Crazy Woman e Little by Little contam com a presença de Slim em execução impecável.
Tudo foi captado ao vivo no estúdio e sem overdubs. Isso mostra a competência de grandes músicos tocando e se divertindo juntos. A qualidade de áudio e imagem é excelente, fruto do cuidado com a produção e do profissionalismo da equipe técnica.
Atualizado em : Domingo, Agosto 23, 2009 2:48 PMDisco John Mayall and the Bluesbreakers with Eric Clapton
Postado em Terça-feira, Junho 24, 2008 as 4:39 PM por Marcos Ottaviano
Quando comecei a tocar blues, na década de 1980, não havia professores
para esse gênero. O jeito, então, foi recorrer aos LPs. Um disco que me
chamou bastante a atenção foi o famoso John Mayall and the Bluesbreakers
with Eric Clapton (1966).
Com ele, pude aprender muitas técnicas como vários tipos de bends, vibratos, palhetadas e ligados que uso como referência ainda hoje. Por exemplo, a faixa Little Girl é um exemplo de aplicação dos diversos tipos de bends no blues, como quando ele sobe 1 tom e desce ½ tom, conseguindo duas notas em uma mesma casa.
Procurando aprender sobre as influências de Eric Clapton nesse disco, pude descobrir grandes guitarristas de blues, como Otis Rush e Freddie King, que acabaram me inspirando bastante. Eu ouvia John Mayall and the Bluesbreakers with Eric Clapton todos os dias, até decorar músicas como Hideaway, o primeiro blues que aprendi a tocar. Para quem ainda não escutou, esse disco é uma boa pedida.
Atualizado em : Domingo, Agosto 23, 2009 10:02 AMPostado em Artigos Varios (RSS)
Lap steel Del Vecchio
Postado em Terça-feira, Junho 24, 2008 as 4:37 PM por Marcos Ottaviano
Em 1993, ao entrar numa loja em São Paulo, vi um instrumento que me
chamou a atenção. Ele estava fora da vitrine, em um canto, sem tarraxas.
O vendedor disse ser um lap steel (ou guitarra havaiana) da Del Vecchio,
fabricado na década de 1960. Como já tocava slide, fiquei muito
interessado. Não tive dúvida e comprei na hora.
Comecei a estudar a nova técnica para poder colocar em prática nos shows. Depois de alguns anos de uso, as tarraxas já não afinavam mais e a ponte original muito parecida com a de um violão se soltou. Foi quando levei ao Márcio Zaganin para que ele fizesse algumas modificações.
O Márcio gostou bastante do instrumento e me contou a respeito de sua construção. O corpo da guitarra era feito de mogno e o braço de jacarandá, o captador provavelmente teria sido feito pelo Saraiva, antigo luthier de São Paulo que, na época, trabalhava na Del Vecchio. O Márcio colocou tarraxas Gibson Deluxe.
Para isso, teve de fechar o headstock do lap steel, que tinha aberturas, como em violões. Outra mudança foi a ponte: ele modificou um cordal da Gibson para que combinasse perfeitamente. Além disso, outro amigo sugeriu que eu colocasse um captador Seymour Duncan.
O resultado ficou excelente e serviu de referência para que o Márcio Zaganin desenvolvesse o seu próprio modelo. Já fui convidado para fazer dezenas de gravações tocando lap steel. Nos shows, esse instrumento sempre é motivo de curiosidade, já que é pouco utilizado por músicos brasileiros.
Atualizado em : Domingo, Agosto 23, 2009 9:43 AMPostado em Artigos Varios (RSS)
O Blues
Postado em Terça-feira, Junho 24, 2008 as 4:33 PM por Marcos Ottaviano
O blues é um gênero que, além de guardar a alma da guitarra, consegue fazer, com elementos aparentemente simples, uma música bastante complexa. O solo abaixo mostra bem onde reside esta complexidade: na respiração do ritmo, nas mudanças de região, nos diferentes bends e na expressão cuidadosa de cada uma das notas.
A divisão rítmica, embora rica, é menos difícil do que parece: pense em 12/8 (Um-dois-três, Um-dois-três, Um-dois-três, Um-dois-três) como a pulsação natural do blues. Os americanos trabalham sempre com a divisão tercinada e isso é uma das bases do swing. Por isso, optamos pela transcrição em 4/4, a intenção original da base.
Melodicamente, o solo está construído quase todo sobre a pentatônica de A menor, e mostra muitos dos segredos de como fazer esta escala tão simples soar com sotaque bluesy. A harmonia (que você pode gravar para tocar em cima) é um blues bem simples, em A maior. Boa sorte!
Veja matéria completa na Guitar Player 59.
Atualizado em : Segunda-feira, Agosto 17, 2009 5:12 PMPostado em Artigos Varios (RSS)
História do Blue Jeans
Postado em Segunda-feira, Junho 23, 2008 as 5:36 PM por AMaurin
História do Blue Jeans
História do inicio do Blue Jeans (contada por Alan Marcus)
1986: Depois de passar um ano morando nos EUA, onde eu tocava com quatro bandas de rock"n"roll, resolvi montar uma banda de rock/blues em São Paulo. A idéia era que a música eletrônica e rock brasileiro da época não comunicavam comigo de uma maneira visceral e sincera, como o rock"n"roll e o blues. A influência dos estilos principalmente do Johnny Winter, Jimi Hendrix, B.B. King, entre outros, era bem forte. Com 19 anos de idade, montei a banda, um trio. Convidei o Dedé Anderson para ser baterista, e o Ricardo no baixo (comigo na guitarra e vocal). Nossa primeira data foi no Épico's Bar, na Santo Amaro um bar de motoqueiros.
Depois de alguns shows, o Ricardo bebia muito, e uma vez urinou no próprio case do baixo no intervalo de um dos sets. Resolvemos trocar de baixista, e convidei o Chris White, um irmão de um colega meu de escola e vizinho do Dedé. Também entrou outro guitarrista, Chinho (ex-Viper).
1987-1989: Tocamos em vários bares e casas noturnas e festas em clubes. Tocamos também em shows da TV 2 Cultura (Serginho Groismann, e competição de bandas). Convidei o Toninho Fonseca para entrar na banda como baixista, já que ele era um amigo da vizinhança.
Num dos shows da TV Cultura, um especial de blues, foi onde conheci o Blues Etílicos...Eles eram 4 anos mais velhos do que eu, e eu os admirava. Também gostava muito da estética e música deles, e ficamos amigos.
1989- O baterista Dedé se casa e sai da banda, e entra o Duda na bateria, outro vizinho dele. Eu trabalhei no primeiro festival de blues do Brasil em Ribeirão Preto como assistente de mídia. Conheci e conversei com o Junior Wells, Magic Slim, e Albert Collins, entre outros grandes nomes do blues que desde então já faleceram.
Este festival foi marcante na trajetória não só do Blue Jeans, mas principalmente do blues no Brasil, pois destacou os melhores nomes do blues internacional e nacional. Depois deste festival foi que resolvi me dedicar profissionalmente somente ao blues com o Blue Jeans, pois fiquei imensamente impressionado após ter ouvido a música destes mestres, e decidi que queria fazer aquilo pelo resto de minha vida. Pedi demissão no meu emprego daquela época, e parti para tocar música profissionalmente.
Outra vertente importante na trajetória do Blue Jeans foi no encontro em um festival de música muito especial em Caxambu, Minas Gerais, onde conheci o Junior Moreno, que tocava com o Vultos na época. Neste festival, o Vultos me convidou para fazer uma canja no set deles (Johnny B. Goode) e nos demos muito bem. Fiquei impressionado com este baterista (agora atual baterista e vocalista do Blue Jeans). Achei que ele tocava no estilo antigo, com o back-beat que não se escutava mais. Nossas experiências se enriqueceram, principalmente quando o Vultos foi expulso do hotel deles, e eles tiveram que ficar no mesmo que o Blue Jeans. Dali para frente ficamos bastante amigos. Por coincidência, o baixista do Vultos, Andrei Ivanovic, é o atual baixista do Blue Jeans. Eu já conhecia o Andrei desde os 15 anos de idade, quando tocamos em outras bandas da época, então já tinha muito respeito por ele.
1990: Havia pensado muito sobre os momentos que toquei com o Junior em Caxambu e em outras canjas. Resolvi então convidá-lo para entrar no Blue Jeans, e ele topou. Foi esta formação do Junior na bateria, Toninho no baixo e eu na guitarra e vocal, onde as vertentes musicais realmente se expandiram e a banda tomou um rumo profissionalizante. O Toninho tinha um estúdio de ensaio e amplificadores lá, portanto tínhamos o "nosso espaço" para ensaios, e o tempo necessário sem ter que nos preocuparmos com horários marcados de estúdios. Ficamos bem amigos, e depois de um tempo também me mudei para a casa do Toninho, onde morei por um tempo. O convívio pessoal e musical entre os três virou bastante intenso e isto foi produtivo no processo de criação de um som próprio, de músicas próprias, de ótimos ensaios e de um entrosamento musical excepcionalmente bom.
Entre os vários lugares que tocamos, destacam-se os shows que fizemos no extinto Dama Xoc, no Aeroanta de SP e Curitiba, no Brittania, no Circo Voador no RJ onde também fizemos shows com o Sugar Blue. Tocamos ao ar livre no litoral Paulista, tocamos em casas noturnas em Ribeirão Preto, em shows de TV, fizemos um videoclipe da MTV que ganhou um prêmio de um dos 10 melhores clipes independentes do ano. Também fizemos vários shows ao vivo em rádios de SP.
Conhecemos excelentes guitarristas de blues, como o Nuno Mindelis, com quem tocamos. Também conheci o virtuoso Marcos Ottaviano, com quem fizemos shows juntos por coincidência, é o atual guitarrista no Blue Jeans agora.
1991: Matéria sobre o Blues nacional é publicada na capa da Ilustrada da Folha de SP, com foto e destaque do Blue Jeans.
1991- 1992: Convidaram-nos para fazer gravações nos estúdios da BMG no Rio, para possível contratação futura o que não aconteceu.
No final de 1992 resolvi viajar para Nova Iorque para visitar um amigo, mas queria ir para Chicago, pois tinha o telefone do Sugar Blue e Junior Wells, que me deram quando os conheci no Brasil. Acabei nunca indo para Chicago... Ao invés disso, fui para o Oriente Médio, para a Escócia, Inglaterra, e depois para os EUA. Não retornei a morar no Brasil, e sai também do Blue Jeans, sendo muito habilmente e fortemente substituído por Marcos Ottaviano na guitarra.
Atualizado em : Domingo, Agosto 23, 2009 10:01 AMPostado em Artigos Varios (RSS)
Show: Marcos Ottaviano & Kiko Moura Project
Postado em Sábado, Junho 14, 2008 as 3:21 PM por Marcos Ottaviano
Quando: 19/06
Horário: 22:30
Onde: Mister Blues
End: Av.São Gabriel, 558 - Itaim Bibi - São Paulo - SP
Reservas:(11)9479-6978
informações:(11)3884-5255
http://www.mrblues.com.br/hotsite/default.asp?R=3&T=3
Atualizado em : Segunda-feira, Dezembro 21, 2009 6:35 PMPostado em Comunicado (RSS)