Fogo Blueseiro
Postado em Terça-feira, Junho 24, 2008 as 4:48 PM por Marcos Ottaviano
Em novo álbum do Blue Jeans, Marcos Ottaviano mostra que a guitarra blues brasileira vai muito bem, obrigado.
Em visita ao Brasil, em 9 janeiro de 2002, o Rolling Stone Ron Wood esteve na casa de shows Bourbon Street Music Club, em São Paulo. Naquela noite, o show era da banda Blue Jeans, que tem Marcos Ottaviano nas guitarras. Empolgado com o blues vigoroso do trio - que conta também com Junior Moreno, na bateria e vocais, e Andrei Ivanovic, no baixo, Wood não segurou a vontade de tocar e pediu para subir ao palco e se unir ao grupo.
O resultado da jam foram inesquecíveis Hide Away, de Freddie King, e Miss You, dos Stones. Impressionado com o talento de Ottaviano, Ron não poupou elogios ao guitarrista, chamando-o de mago e mestre. "Quem sabe você não me dá umas aulas", indagou o Stone.
O estilo que conquistou Wood é formado por uma poderosa pegada blueseira, slides contagiantes e melodias fervorosas. É o que Ottaviano mostra no segundo álbum do Blue Jeans, Come Back Home, que traz composições dos integrantes do trio e versões para Can't You See What You're Doing To Me (Albert King), Sing a Simple Song (S. Stewart), Five Long Years (Eddie Boyd), Rock Me (M. Jackson), Never Make a Move Too Soon (B.B. King) e Georgia Women (R.L. Burnside). O disco foi gravado no Space Blues Studios, na capital paulista.
O blues é um gênero com formas e acordes característicos. Que caminho você segue para não se tornar repetitivo?
Não componho de forma muito tradicional. Acabo saindo da fórmula I, IV, V. Coloco acordes com sexta, refrãos mais pop e R&B. Gostamos de tudo isso, são sons que nos influenciaram. Até o Robert Cray faz músicas com estruturas diferentes nos dias de hoje. Acho que o caminho é esse, você vai evoluindo e dando uma incrementada na harmonia. É fácil soar blues sobre uma harmonia diferente, porque a guitarra pode fazer esse papel. O que mais descaracteriza o blues é o músico usar outras escalas e fugir no fraseado. A harmonia pode ser uma encrenca, mas se você colocar o B.B. King para tocar, a música vai soar blues. O único que consegue utilizar elementos diferentes, continuando a soar blues, é Robben Ford.
O que é importante para aprender a tocar blues?
O que vale é a melodia. No jazz também, se você escutar Wes Montgomery, perceberá que ele toca frases, quase não há escalas. Ele tem um senso melódico incrível. Com Santana é a mesma coisa, ele não entrega as escalas de bandeja, tudo é melodia.
Qual é a melhor maneira de desenvolver esse senso melódico?
Sempre preferi criar frases e melodias próprias. Antes disso, eu ficava tirando músicas e solos. Estudei modos, mas nunca fiquei decorando escalas. Não uso apenas escala pentatônica. Por exemplo, parece que B.B. King só usa pentatônicas, mas, se você for analisar, ele toca mixolídio, dórico, arpejo diminuto, mas sempre com o pé no blues.
Você já pensou em tocar outros estilos?
Tentei aprender jazz, estudei com Kiko Moura, um dos maiores guitarristas que já vi. Foi ele quem me incentivou a estudar blues, porque em toda estrutura de jazz que ele me passava eu dava um jeito de colocar um blues no meio. Hoje em dia escuto bastante jazz e até penso em voltar a estudar. Já me falaram que, mesmo tocando blues, pareço um guitarrista de jazz. Talvez por eu não usar apenas pentatônicas.
Veja matéria completa na Guitar Player 90
Edited on: Domingo, Agosto 23, 2009 2:36 PMPostado em Entrevistas (RSS)