Historia do Blue Jeans

História do inicio do Blue Jeans (contada por Alan Marcus)

1986: Depois de passar um ano morando nos EUA, onde eu tocava com quatro bandas de rock n’roll, resolvi montar uma banda de rock/blues em São Paulo. A idéia era que a música eletrônica e rock brasileiro da época não comunicavam comigo de uma maneira visceral e sincera, como o rock n’roll e o blues. A influência dos estilos principalmente do Johnny Winter, Jimi Hendrix, B.B. King, entre outros, era bem forte. Com 19 anos de idade, montei a banda, um trio.  Convidei o Dedé Anderson para ser baterista, e o Ricardo no baixo (comigo na guitarra e vocal). Nossa primeira data foi no Épico’s Bar, na Santo Amaro – um bar de motoqueiros. 

Depois de alguns shows, o Ricardo bebia muito, e uma vez urinou no próprio case do baixo no intervalo de um dos sets.  Resolvemos trocar de baixista, e convidei o Chris White, um irmão de um colega meu de escola e vizinho do Dedé. Também entrou outro guitarrista, Chinho (ex-Viper).

1987-1989: Tocamos em vários bares e casas noturnas e festas em clubes.  Tocamos também em shows da TV 2 Cultura (Serginho Groismann, e competição de bandas). Convidei o Toninho Fonseca para entrar na banda como baixista, já que ele era um amigo da vizinhança. 

Num dos shows da TV Cultura, um especial de blues, foi onde conheci o Blues Etílicos… Eles eram 4 anos mais velhos do que eu, e eu os admirava. Também gostava muito da estética e música deles, e ficamos amigos.

1989- O baterista Dedé se casa e sai da banda, e entra o Duda na bateria, outro vizinho dele. Eu trabalhei no primeiro festival de blues do Brasil em Ribeirão Preto como assistente de mídia. Conheci e conversei com o Junior Wells, Magic Slim, e Albert Collins, entre outros grandes nomes do blues que desde então já faleceram. 

Este festival foi marcante na trajetória não só do Blue Jeans, mas principalmente do blues no Brasil, pois destacou os melhores nomes do blues internacional e nacional. Depois deste festival foi que resolvi me dedicar profissionalmente somente ao blues com o Blue Jeans, pois fiquei imensamente impressionado após ter ouvido a música destes mestres, e decidi que queria fazer aquilo pelo resto de minha vida.  Pedi demissão no meu emprego daquela época, e parti para tocar música profissionalmente. 

Outra vertente importante na trajetória do Blue Jeans foi no encontro em um festival de música muito especial em Caxambu, Minas Gerais, onde conheci o Junior Moreno, que tocava com o Vultos na época. Neste festival, o Vultos me convidou para fazer uma canja no set deles (“Johnny B. Goode”) e nos demos muito bem.  Fiquei impressionado com este baterista (agora atual baterista e vocalista do Blue Jeans).  Achei que ele tocava no estilo antigo, com o back-beat que não se escutava mais.  Nossas experiências se enriqueceram, principalmente quando o Vultos foi expulso do hotel deles, e eles tiveram que ficar no mesmo que o Blue Jeans. Dali para frente ficamos bastante amigos. Por coincidência, o baixista do Vultos, Andrei Ivanovic, é o atual baixista do Blue Jeans. Eu já conhecia o Andrei desde os 15 anos de idade, quando tocamos em outras bandas da época, então já tinha muito respeito por ele. 

1990: Havia pensado muito sobre os momentos que toquei com o Junior em Caxambu e em outras canjas. Resolvi então convidá-lo para entrar no Blue Jeans, e ele topou. Foi esta formação do Junior na bateria, Toninho no baixo e eu na guitarra e vocal, onde as vertentes musicais realmente se expandiram e a banda tomou um rumo profissionalizante. O Toninho tinha um estúdio de ensaio e amplificadores lá, portanto tínhamos o “nosso espaço” para ensaios, e o tempo necessário sem ter que nos preocuparmos com horários marcados de estúdios. Ficamos bem amigos, e depois de um tempo também me mudei para a casa do Toninho, onde morei por um tempo. O convívio pessoal e musical entre os três virou bastante intenso e isto foi produtivo no processo de criação de um som próprio, de músicas próprias, de ótimos ensaios e de um entrosamento musical excepcionalmente bom. 

Entre os vários lugares que tocamos, destacam-se os shows que fizemos no extinto Dama Xoc, no Aeroanta de SP e Curitiba, no Brittania, no Circo Voador no RJ onde também fizemos shows com o Sugar Blue. Tocamos ao ar livre no litoral Paulista, tocamos em casas noturnas em Ribeirão Preto, em shows de TV, fizemos um videoclipe da MTV que ganhou um prêmio de um dos 10 melhores clipes independentes do ano. Também fizemos vários shows ao vivo em rádios de SP.

Conhecemos excelentes guitarristas de blues, como o Nuno Mindelis, com quem tocamos. Também conheci o virtuoso Marcos Ottaviano, com quem fizemos shows juntos – por coincidência, é o atual guitarrista no Blue Jeans agora.

1991: Matéria sobre o Blues nacional é publicada na capa da Ilustrada da Folha de SP, com foto e destaque do Blue Jeans.

1991- 1992: Convidaram-nos para fazer gravações nos estúdios da BMG no Rio, para possível contratação futura – o que não aconteceu. 

No final de 1992 resolvi viajar para Nova Iorque para visitar um amigo, mas queria ir para Chicago, pois tinha o telefone do Sugar Blue e Junior Wells, que me deram quando os conheci no Brasil. Acabei nunca indo para Chicago… Ao invés disso, fui para o Oriente Médio, para a Escócia, Inglaterra, e depois para os EUA. Não retornei a morar no Brasil, e sai também do Blue Jeans, sendo muito habilmente e fortemente substituído por Marcos Ottaviano na guitarra.